Conceição A. Sanches
Atualmente, são comuns os comentários a respeito da influência negativa da televisão sobre os jovens. Considera-se que a programação é de baixo nível e aliena a juventude, incitando-a à violência. Embora isso seja tido como verdade, esse posicionamento não resiste a uma análise mais profunda, além de não se amparar em argumentos cientificamente aceitáveis.
A psicologia afirma que a relação entre a televisão e o comportamento violento precisa ser vista levando em conta a predisposição de cada um à agressividade, já que o impacto das cenas negativas, sobre o telespectador, é comparável ao de cenas positivas. Se a influência da televisão fosse tão determinante no comportamento dos jovens, as propagandas assegurariam a diminuição dos índices do uso de entorpecentes e do contágio de doenças como a Aids, pois esses são assuntos constantes em campanhas de prevenção e esclarecimento.
O telespectador, mesmo quando é jovem, não é um ser passivo, mas um indivíduo que interage e, por isso, desempenha um trabalho intelectual. Sua identificação com a personagem se dá no espaço psicológico durante o tempo em que ele assiste à televisão e termina quando ele pára. Isso permite que, no dia-a-dia, o que é o real se diferencie do que é ficcional.
Dessa forma, a televisão não induz aos atos violentos e permite a expansão do conhecimento sobre si mesmo, já que quem assiste decidirá se vai se identificar com o agressor ou com o agredido. Além disso, a televisão possibilita o contato, o conhecimento e a compreensão de realidades que não podem ser vivenciadas, como algumas situações, culturas de outros povos, momentos do passado e de realidades que não foram vivenciadas mas que podem vir a ser.
Essa experiência, com o que já foi e com o que pode ser, fornece ao jovem material para reflexão a respeito de si próprio e da sociedade em que vive. Embora esse fenômeno se verifique também no Teatro e na Literatura; na televisão, se organiza e se estrutura num âmbito mais dinâmico.
Quando um jovem assiste a um produto audiovisual, reconstrói o sentido da mensagem, ancorado em experiências vividas anteriormente e que orientam seu posicionamento diante do mundo, na sua realidade.
Por isso, quando a família, a escola e a sociedade falham, culpa-se a televisão, sozinha, pela propagação da violência entre os jovens.
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